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Título: O Império Romano

Páginas: aprox. 5

Autores: Ingrid Mayline

Com correcções de: Alexandra Gonçalves

 

Sinopse:

É um guião, escrito pela Ingrid Mayline, com correcções minhas, para um trabalho de grupo [composto por Ingrid Mayline, Alexandra Gonçalves, Marta Silva, Catarina Guerreiro e Ruby May] do 2º Período do 10º Ano para a disciplina de História A, leccionada pelo Professor José Couto. É sobre O Império Romano: A Educação Romana, O Exército Romano e a Implementação da Pax Romana, O Direito Romano, O Estado Romano e Por Quem era Constituído, Artes e Cultura Romana, O Espaço Romano e A Literatura Romana. Este guião foi dramatizado pelo nosso grupo, pelo que apresentámos a sua adaptação cinematográfica em aula. Talvez publique o filme aqui no blogue, se as minhas colegas concordarem com tal. 

Pensei em publicar este guião por partes para não vos sobrecarregar, mas acabei por concluir que não faz sentido e seria bastante trabalhoso encontrar os momentos perfeitos para pausa. Pelo que o colocarei integralmente, de seguida. Espero que gostem: aceitam-se críticas, desde que construtivas. 

 

 

 

O Império Romano

 

 

 

 

Cena I - Casa da Alexandra - Actualidade

 

Vêem-se quatro raparigas sentadas em volta de uma mesa, com livros de História e muitos papéis rabiscados, lápis, canetas e um relógio no centro, a dar as sete horas.

 

Catarina: Ingrid, acho melhor irmos andando. Afinal, moramos longe e já se faz tarde.

Ingrid: Tens razão. Vocês ficam?

Alexandra: Sim, se calhar elas ficam e adiantamos trabalho. Que acham?

Ruby e Marta: Pode ser.

 

Ingrid e Catarina despedem-se e saem de cena.

 

Cena II - Roma Antiga - Séc. V a.C. - I d.c.

 

Após trabalho árduo, três horas depois, sem pausa para refeições completas, sem ser petiscos, Alexandra, Marta e Ruby deixam-se dormir. [A passagem das horas é representada pela constante observação/filmagem do relógio e as horas que nele são marcadas e, também por causa da filmagem rápida e contínua em torno da sala e sobre a elaboração do trabalho].

 

No Sonho - Roma Antiga, no Fórum

 

[as gravações são feitas em Tavira, no jardim que fica na parte de trás da Igreja de Santa Maria do castelo]

 

[Vê-se uma imagem turva, simbolizando uma viagem num túnel do tempo, com movimentos circulares da imagem das raparigas a dormirem, com as cabeças nas mesas, e de repente tudo se materializa.]

 

Vindas de lugares diferentes, distraidamente, Marta, Ruby e Alexandra encontram-se no centro do Fórum.

 

Ruby/Marta/Alexandra: Bom dia! Ei!

Ruby/Marta/Alexandra: O que fazem aqui?

Ruby: Estaremos a sonhar?

Marta: Mas que raio de roupas são estas, man?

Alexandra: Qual sonho, qual quê! Consigo tocar-me, sentir-me. Estou aqui, é verdade.

Ruby: (Suspiro) Que maravilha! Estamos em Roma!

Marta: Maravilha nada! Desgraça! Continuo a achar que isto não passa de um sonho.

Alexandra: Não me parece. Afinal, temos consciência de estarmos a falar umas com as outras, certo? Além disso, tenho a sensação que ainda agora deixei os meus três filhos a estudarem. Querem ver como tenho razão? Não podia saber o que sei, se não fosse apenas nada mais nada menos do que a verdade. Olhem, a minha Minerva, que tem sete anos, ficou com o litterator, a aprender a leitura, o cálculo e a decorar poemas. Tão fofinha que fica a estudar, a sério! Tanto que se esforça, como todas as crianças que, como ela, começaram agora, senta-se no chão e escreve sobre os joelhos. Vai ser assim até terminar o Ensino Primário, com onze anos. 

Já a minha Diana, com doze anos, não se conforma que, por ser mulher, só poderá estudar até aos dezasseis, sem que possa passar do Ensino Secundário, onde aprende obras literárias, matemática, geometria, música e astronomia.

O meu Marte, o meu homenzinho, com dezassete anos, começou agora o Ensino Superior, para poder ter acesso aos cargos políticos e administrativos mais elevados. O rethor centra-se na aprendizagem da Retórica e do Direito. O meu Marte adora! Ele quer seguir para

as Magistraturas e ser um cônsul para poder chefiar o exército. 

Marta: Bem, já que falas nisso... estou a lembrar-me de que... hum, estava a vir de casa e recebi uma notícia do meu marido, o cônsul Décimo Júnio Bruto. 

Ruby: Ai, ai, os soldados romanos... (Suspiro) [Passa uma imagem do Bradd Pitt no filme Tróia, a interpretar Aquiles] Mas, o que é que aconteceu?

Marta: Nem sabes o que o meu Bruto fez em nome de Roma!

Ruby: Diz lá, diz lá.

Marta: Pactuou e fortificou Olisipo, estabelecendo a base de operações em Móron, próximo de Santarém, e marchou para o Norte. À margem do Rio Lima, matou e destruiu tudo o que lhe impedisse abrir caminho para implantar a Pax Romana!

Ruby: Ai, meu Deus, vocês parem adorar a guerra, Cruzes Credo!

Marta: Desculpa?! É altamente lutar por aquilo a que temos direito, como foi instituído pela Lei das XII Tábuas. Nós, Romanos, não só conquistámos como também levámos a cultura e a ordem aos povos conquistados.

Quem nunca ouviu falar no Direito Romano? Devido à necessidade de administar o nosso vasto Império e à convivência das nossas gentes, criámos o Direito. É que vocês não estão bem a ver! O Direito Romano é algo incrível, porque graças a nós, grandes Romanos, ultrapassou-se a noção de simples soma de leis e, este passou a ser uma Ciência.

Há o Direito Público, normas que regem as relações entre as entidades públicas e particulares. Enquanto que, o Direito Privado são normas que regem asrelações entre particulares. E possuem ambos o mesmos Três Princípios: a Justiça, a Equidade e a Bondade.

Ruby: Meu Deus!

Marta: Calma, ainda há mais... Temos também as Magistraturas, que são altos cargos do Estado, atribuídos por eleição, com um mandato que tem a duração de um ano. 

Alexandra: Bem, e para além de cônsul, que cargos existem?

Marta: Ora bem, um Magistrado pode ser pretor, edil, questor, tribuno da plebe e censor, que acumulam as funções de política executiva (chefia do governo), legislativa (propostas de lei), militares (chefia do exército), judiciais e financeiras.

Para terminar, existem também os Comícios, que são assembleias periódicas de carácter popular representativas do povo romano, cujas principais funções são eleger os Magistrados e aprovar as leis.

Mas, quando falamos de administração e política, não podemos esquecer o nosso divino Pai da Pátria, «imperator» «princips civitatis», Sumo Pontífice Octávio César Augusto, que detém sob si todos os poderes governamentais e conta com uma Administração Imperial, constituída por um Conselho Privado, uma Guarda Pretoriana, Governadores de Províncias e Altos Funcionários.

Ruby: Ufa, tanta informação! Eu cá só entendo de Artes e Cultura.

Alexandra: Hum, Artes. De que tipo?

Ruby: Todas, minha querida. Arquitectura, escultura, pintura e artes decorativas! Roma, desde a sua origem, sempre foi uma ávida consumidora e produtora de Arte.

Alexandra: Olha, como tu. (Ruby levanta os sacos de compras, em sinal de concordância)

Marta: Pois, de Artes não perceb nada. Explique-me então.

Ruby: Bem, é importante dizer que nós, Romanos, promovemos a vida urbana como centro de poder local e de difusão da cultura. Ou seja, podemos também concluir que tendo a Arte romanca um foco prático e útil, ao contrário dos Helénicos que visam a beleza e a estética como ponto principal, as obras romanas são o espelho da cultura pragmática que temos vindo a desenvolver.

Alexandra: Mas nós não mantivemos a Arte Grega?

Ruby: Não de todo. Ficámos com a influência helénica na escultura, onde deixámos que a criatividade dos artistas helénicos dominasse a produção de estatuário. Eu, por exemplo, faço muitas encomendas e réplicas das grandes obras gregas. Porém, há algo que valorizo na nossa cultura, é que nós impomos o realismo, isto é, as feições do rosto, a expressão no olhar, o movimento dos cabelos, tudo é tratado com tal minúcia e fidelidade que os retratos frequentemente ultrapassam a representaçõ física da personagem para darem a ideia do seu carácter.

Marta: Deixa-me ver se percebi: o retrato serve para afirmar o indíviduo, realçando os traços que definem a sua fisionomia e a tornam única?

Ruby: Correcto, é exactamente assim! Mas nós também soubemos tirar partido de outra vertente da arte de esculpir: o relevo. Que tem como função, além de decorar, narrar os grandes feitos do nosso povo e, exaltar as virtudes dos nosso chefes.

Além disso, é um facto que a nossa sociedade percebe melhor as artes visuas como se fossem uma espécie de literatura acessível a toda a população, que na sua maioria é analfabeta e incapaz de falar o latim erudito como eu, é claro. Assim, a Arte serve de meio para a glorificação do Império. É apresentada principalmente nas construções comemorativas, que aliás, se enquadram nas Novas Tipologias: os aquedutos, fóruns, basílicas, termas, anfiteatros, hipódromos/circos, arcos de triunfo, colunas honoríficas, entre outras.

Marta: Hã, hum, explica-me lá como se eu fosse muito burra. É que, realmente, tu percebes muito de Arte. Mas vai com um pouco mais de calma.

Ruby: É assim, a Arquitectura romana, de uma forma geral, apresenta as seguintes características: grandiosidade, solidez, robustez na construção, dignidade, coerência formal, o respeito pelas ordens arquitectónicas gregas, com preferência pela coríntia, e, como tudo em Roma, pela funcionalidade e utilitarismo.

Depois, há ainda as inovações romanas como novos materiais - introdução da argamassa -, novas técnicas - como a utilização sistemática e explícita do arco redondo ou de volta perfeita e da abóbada de berço - e as novas tipologias, das quais já vos falei.

Alexandra: Mas já observaram bem a dimensão e a beleza dos templos?

Ruby: Isso deve-se aos templos serem edificados sobre um pódio e ornamentados sob a ordem compósita, que reúne elementos das várias ordens, e a construção de colunas e capitéis maiores. 

Marta: Não sei porquê, mas tenho a impressão de que não referiste uma cena qualquer sobre a cultura e os elementos urbanísticos.

Ruby: Tens razão, Marta. No entanto, não irei gastar mais a minha bela voz. Deixo isso para a Alexandra.

Alexandra: Com certeza. É bastante simples. A cultura romana simplifica-se à cultura pragmática, que é o sentido prático e realista. Uma cultura marcada pela influência helénica: aprendemos a falar grego e reconhecemos o seu brilhantismo nas Artes, na Literatua, na Filosofia e na Religião; e também pela cultura urbana, onde as cidades antigas são renovadas, para dar lugar a novas, fundadas de raíz.

Quando falamos dos elementos urbanísticos, tens de saber que as cidades nasceram com uma planta regular. Esta planta tem um traçado regular característico: uma malha racional, ortogonal, ao estilo do urbanista grego Hipódamo, da qual emergem as vias principais que tu conheces bem: o cardo, a via na direcção Norte-Sul, e o decumanos, a vida em direcção Este-Oeste, que se cruzam perpedicularmente aqui, no Fórum...

Ruby: ... o centro de toda a vida urbana! (Levanta os sacos) Bem, a conversa está marvilhosa, mas tenho de partir para a minha domus. Até à minha belíssima e luxuosa casa, tenho um longo caminho até às colinas.

Marta: Eu vou ajudar uma amiga, que perdeu tudo por causa de um incêndio que houve na ínsula dela. São habitações tão frágeis. (Com um tom de lamentação)

Alexandra: Não vou fazer algo tão importante, mas não menos belo. Vou a Biblioteca ler Horácio, Ovídeo e Virgílio. Na semana passada, li Políbio, Tácito e Tito Lívio, o que me fez chegar a uma conclusão, minhas queridas amigas: tudo é utilizado para justificar e glorificar o poder do Império Romano.

Marta: Não é por acaso que todos nós temos orgulho em ser cidadãos romanos, minha cara.

Ruby: Sem dúvida que sim.

 

[Ouve-se uma campainha]

 

Cena III - Casa da Alexandra - Actualidade

 

Alexandra, Marta e Ruby acordam, levantando a cabeça dos livros, totalmente desorientadas. Ao ouvirem a campainha novamente, Raquel abre a porta de casa, recebendo novamente Ingrid e Catarina.

 

Ingrid: Esqueci-me das chaves.

Catarina: E do meu telemóvel. Deve estar por aqui algures.

 

Catarina e Ingrid entram em casa.

 

Catarina: Então? Que caras de sono são essas? Não me digam que fazem o trabalho a dormir? (Tom irónico)

Ingrid: Já está tudo. Podem voltar a dormir: sonhem com os Romanos.

Marta: Como se fosse preciso pedir!

 

 

FIM

 

publicado às 14:13


1 comentário

Sem imagem de perfil

De anne sophie a 17.09.2011 às 17:03

Tavira?? Sabes que eu passo sempre férias aí perto? :p

O meu teste é já dia 30 deste mês -.-

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